Uma das sedes da UFRB, Cachoeira sofre com a falta de
investimento na área de informação.
Estou de pé cedo, pronta para uma entrevista com um senhor que me daria informações sobre jornal, meios de comunicação, o que lê ou não lê em jornais, uma pessoa instruída e informada para cumprir mais uma missão de estudante de jornalismo. Entrevista marcada, entrevistado não está, oito, nove, dez, onze horas da manhã e nada, ninguém em casa. Desespero. Naquele momento acredito que a única pessoa que pode me dizer qualquer coisa sobre informação em Cachoeira é ele. Como toda jornalista – ou futura, tanto faz – inicio uma caminhada pela cidade, espero por um sinal divino ou quem sabe alguém que me diga “eu leio jornal, sou uma pessoa informada e gosto disso”, alguém que me dê uma opinião, alguém interessante. De repente um lugar comum aos meus olhos, porém não aos meus pés, lá eu nunca entrei, e confesso não sei por que motivo, razão ou circunstância nunca nem pensei em entrar. MC Livros e Cia., nome comum, pessoa incomum, Raimundo Dayube, um aposentado, ex-gerente de banco, dono de papelaria, livraria e banca de revistas, um verdadeiro três em um, me recebe com muita gentileza e topa um papo sobre livros e jornais, tema que ele conhece. Ao falar em meio de informação, pensa-se logo em TV, radio e jornal impresso. Em Cachoeira as coisas são diferentes, lá existe uma estação de rádio e dois jornais periódicos de períodos não definidos. Ou seja, para saber de uma notícia relacionada a ela, o assunto tem que ser pauta de um telejornal estadual, probabilidade pequena, mas que às vezes é vista. Os jornais vêm de Salvador todos os dias de ônibus. Quem mais poderia me oferecer informações sobre esse tema? Alguém que trabalha com isso, que vende revistas e livros, alguém que vende informação das mais variadas formas. E é com ele que vou passar um tempo da minha manhã conversando.
R.P. O senhor vende jornal aqui?
Não, jornal é lá na Casa da Cultura.
R.P. Faz parte da sua leitura os jornais da cidade, O Recôncavo e O Guarani?
O Recôncavo e O guarani são periódicos e não tem regularidade, não chega a ser nem mensal, mas sempre que sai, eu leio.
R.P. Então a gente pode dizer que é uma deficiência aqui em Cachoeira não ter um jornal diário?
Nem diário, nem mensal, os que têm são periódicos. Mas é sim.
R.P. Qual a o período deles?
Me parece que depende de patrocínio, quando eles tem condições de editar eles editam. São os anunciantes, não é?
R.P. E o senhor acha que ele é acessível à população?
É porque é grátis.
R.P. Mas acha que aqui existe interesse de parar pra ler porque é um jornal da cidade?
Eu não sei nem lhe dizer se há um interesse por ser um jornal da cidade, o pessoal pega porque é grátis. Já teve aqui outros jornais que tinha uma regularidade. Por exemplo, o jornal A cachoeira, ele era regular e saía mensalmente, o pessoal tinha mais interesse porque tinha certeza que ele sairia e que tinham assuntos que interessariam. Outro aspecto é quando o jornal tem matérias que chama atenção, e esses jornais dirigidos, é pra falar bem de quem patrocina aí é complicado. Normalmente o que patrocina o cara fala bem, né? Políticos, o prefeito banca uma edição só pra falar bem do aspecto positivo do administrador.
R.P. Quando pega um jornal, o que mais te interessa nele, qual dos cadernos, economia, cultura?
Ah, eu gosto mais de economia, é minha área, eu fui gerente de banco, hoje estou aposentado, fui gerente do Banco do Brasil e hoje estou aqui pra poder tomar meu tempo. Esse espaço é meu, e não tinha lugar [na cidade] pra vender livros e revistas. Toma meu tempo e eu gosto de ler, eu passo o dia quase todo lendo.
R.P. E como o senhor faz a escolha desses livros?
Os romances são os mais lidos da atualidade, sai na revista Veja, na revista Istoé, aquela relação, os que estão aqui são os mais lidos no Brasil. E os da faculdade eu trago por encomenda. Já têm alguns que já são manjados, porque todo semestre o professor pede. Eu pego uma relação. Mas vocês compram pouco livro, dizem que é a questão do valor e fica xerocando. Normalmente eu vendo dois, três, quatro livros em uma média de 30 a 40 alunos por sala, é pouco.
R.P. Acha que é falta de anúncio?
Não, eu acho que é o preço. Livro no Brasil é caro e pra realidade de Cachoeira mais ainda, e os professores trabalham com capítulos e não com o livro todo, só quando o aluno tem interesse em se aprofundar em ler a obra completa. E tem até a Martim Claret que são livros baratos na faixa de R$ 10,50 e eu vendo o mesmo preço de Salvador. Tudo bem que livro é caro, mas falta interesse, é uma questão de cultura.
R.P. Qual a sua leitura principal?
Revistas e romances.
R.P. Tem um autor preferido?
Não. O que eu lia muito era administração, por que eu sou formado, e tenho MBA. Então eu lia muito de economia e administração. Mas não tenho preferência, eu gosto de ler tudo.
R.P. Se tivesse um jornal aqui em Cachoeira e você fosse o editor do jornal falaria sobre o que? Quais seriam os assuntos importantes e consequentemente lidos?
Pra interior eu acho interessante você falar da cidade, da administração dela.
R.P. A gente tem uma pesquisa que diz que as pessoas gostariam muito de ler sobre emprego, você concorda?
Não, não teria espaço, porque não tem disponibilidade de emprego. É uma cidade pequena que não tem indústria. Aqui tem muito aposentado.
Estou de pé cedo, pronta para uma entrevista com um senhor que me daria informações sobre jornal, meios de comunicação, o que lê ou não lê em jornais, uma pessoa instruída e informada para cumprir mais uma missão de estudante de jornalismo. Entrevista marcada, entrevistado não está, oito, nove, dez, onze horas da manhã e nada, ninguém em casa. Desespero. Naquele momento acredito que a única pessoa que pode me dizer qualquer coisa sobre informação em Cachoeira é ele. Como toda jornalista – ou futura, tanto faz – inicio uma caminhada pela cidade, espero por um sinal divino ou quem sabe alguém que me diga “eu leio jornal, sou uma pessoa informada e gosto disso”, alguém que me dê uma opinião, alguém interessante. De repente um lugar comum aos meus olhos, porém não aos meus pés, lá eu nunca entrei, e confesso não sei por que motivo, razão ou circunstância nunca nem pensei em entrar. MC Livros e Cia., nome comum, pessoa incomum, Raimundo Dayube, um aposentado, ex-gerente de banco, dono de papelaria, livraria e banca de revistas, um verdadeiro três em um, me recebe com muita gentileza e topa um papo sobre livros e jornais, tema que ele conhece. Ao falar em meio de informação, pensa-se logo em TV, radio e jornal impresso. Em Cachoeira as coisas são diferentes, lá existe uma estação de rádio e dois jornais periódicos de períodos não definidos. Ou seja, para saber de uma notícia relacionada a ela, o assunto tem que ser pauta de um telejornal estadual, probabilidade pequena, mas que às vezes é vista. Os jornais vêm de Salvador todos os dias de ônibus. Quem mais poderia me oferecer informações sobre esse tema? Alguém que trabalha com isso, que vende revistas e livros, alguém que vende informação das mais variadas formas. E é com ele que vou passar um tempo da minha manhã conversando.
R.P. O senhor vende jornal aqui?
Não, jornal é lá na Casa da Cultura.
R.P. Faz parte da sua leitura os jornais da cidade, O Recôncavo e O Guarani?
O Recôncavo e O guarani são periódicos e não tem regularidade, não chega a ser nem mensal, mas sempre que sai, eu leio.
R.P. Então a gente pode dizer que é uma deficiência aqui em Cachoeira não ter um jornal diário?
Nem diário, nem mensal, os que têm são periódicos. Mas é sim.
R.P. Qual a o período deles?
Me parece que depende de patrocínio, quando eles tem condições de editar eles editam. São os anunciantes, não é?
R.P. E o senhor acha que ele é acessível à população?
É porque é grátis.
R.P. Mas acha que aqui existe interesse de parar pra ler porque é um jornal da cidade?
Eu não sei nem lhe dizer se há um interesse por ser um jornal da cidade, o pessoal pega porque é grátis. Já teve aqui outros jornais que tinha uma regularidade. Por exemplo, o jornal A cachoeira, ele era regular e saía mensalmente, o pessoal tinha mais interesse porque tinha certeza que ele sairia e que tinham assuntos que interessariam. Outro aspecto é quando o jornal tem matérias que chama atenção, e esses jornais dirigidos, é pra falar bem de quem patrocina aí é complicado. Normalmente o que patrocina o cara fala bem, né? Políticos, o prefeito banca uma edição só pra falar bem do aspecto positivo do administrador.
R.P. Quando pega um jornal, o que mais te interessa nele, qual dos cadernos, economia, cultura?
Ah, eu gosto mais de economia, é minha área, eu fui gerente de banco, hoje estou aposentado, fui gerente do Banco do Brasil e hoje estou aqui pra poder tomar meu tempo. Esse espaço é meu, e não tinha lugar [na cidade] pra vender livros e revistas. Toma meu tempo e eu gosto de ler, eu passo o dia quase todo lendo.
R.P. E como o senhor faz a escolha desses livros?
Os romances são os mais lidos da atualidade, sai na revista Veja, na revista Istoé, aquela relação, os que estão aqui são os mais lidos no Brasil. E os da faculdade eu trago por encomenda. Já têm alguns que já são manjados, porque todo semestre o professor pede. Eu pego uma relação. Mas vocês compram pouco livro, dizem que é a questão do valor e fica xerocando. Normalmente eu vendo dois, três, quatro livros em uma média de 30 a 40 alunos por sala, é pouco.
R.P. Acha que é falta de anúncio?
Não, eu acho que é o preço. Livro no Brasil é caro e pra realidade de Cachoeira mais ainda, e os professores trabalham com capítulos e não com o livro todo, só quando o aluno tem interesse em se aprofundar em ler a obra completa. E tem até a Martim Claret que são livros baratos na faixa de R$ 10,50 e eu vendo o mesmo preço de Salvador. Tudo bem que livro é caro, mas falta interesse, é uma questão de cultura.
R.P. Qual a sua leitura principal?
Revistas e romances.
R.P. Tem um autor preferido?
Não. O que eu lia muito era administração, por que eu sou formado, e tenho MBA. Então eu lia muito de economia e administração. Mas não tenho preferência, eu gosto de ler tudo.
R.P. Se tivesse um jornal aqui em Cachoeira e você fosse o editor do jornal falaria sobre o que? Quais seriam os assuntos importantes e consequentemente lidos?
Pra interior eu acho interessante você falar da cidade, da administração dela.
R.P. A gente tem uma pesquisa que diz que as pessoas gostariam muito de ler sobre emprego, você concorda?
Não, não teria espaço, porque não tem disponibilidade de emprego. É uma cidade pequena que não tem indústria. Aqui tem muito aposentado.