sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cachoeira: suas galerias recontam histórias e espalham cultura



A cidade de Cachoeira, recôncavo da Bahia, é conhecida mundialmente por sua cultura expressiva, o lugar definitivamente exala história, em todos os cantos encontramos um trecho do que foi o Brasil nos tempos do Império. Galerias de arte compõem esse quadro juntamente com filarmônicas tradicionais e há pouco mais de quatro anos a UFRB está dividindo esse espaço contribuindo para a cidade de todas as formas.


Da África à Armstrong

Próximo a praça 25 de junho encontramos o Pouso da Palavra, que não pode ser classificado por menos do que um verdadeiro espaço de arte. Lá encontramos livros, não só do dono, o poeta e fotógrafo Damário Dacruz, mas de outros poetas brasileiros e professores que expõem obras acadêmicas no local. Lá é sua casa, sua galeria e biblioteca. Uma parte dos livros estão disponíveis para leitura do público como incentivo a obras clássicas e outra faz parte de sua biblioteca pessoal, estima-se que ele tenham em torno de 5000 títulos.
O sebo Café com Arte de Michel Bogdanowicz, é um dos locais mais freqüentados por estudantes e professores da cidade. Lá encontramos obras de arte expostas em todo espaço dando a atmosfera local um clima de cultura delicioso que em algumas noites de quarta-feira uma banda de jazz de alunos e moradores se unem. Dessa mistura artística e cultural ouve-se Ella Fitzgerald, Janis Joplin, Louis Armstrong em performances inesquecíveis.
Outra importante galeria é a Luz do Sol, do artista plástico Billy Oliveira. O cenário é um misto de suas obras e de amigos, segundo ele seu principal público são os turistas nas festas da Boa-Morte. O que chama muito a atenção até de quem passa na porta de sua galeria é a repintura de o “Abaporu” da modernista brasileira Tarsila do Amaral. Sendo ele um artista cujo foco é a África, sua cultura, seus países e influências no Brasil o “Abaporu” é um ícone de qualidade artística e humana que não poderia faltar entre suas obras.
Sendo assim fica um convite para todos os leitores uma visita a histórica Cachoeira, um pedacinho raro do nosso Brasil, que um dia será tão preservada quanto as cidades históricas do interior de Minas Gerais. Esse é o desejo de moradores, estudantes e adoradores dessa cidade poética e inspiradora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um Exemplo na luta contra o Álcool



A trajetória do senhor Valter, 79 anos, baiano, morador da cidade de Cachoeira, recôncavo da Bahia, é muito parecida com a maioria dos brasileiros com problemas no uso do álcool. Com uma aparência elegante, voz baixa e jeito manso de se referir a mim e aos meus colegas, Seu Valter nos deu uma lição, que pelo menos para mim, remeteu a velhas histórias de família, conhecidos e fez pensar que caminhos estou trilhando e onde estarei daqui 20 ou 30 anos.

Como a maioria, iniciou a beber muito jovem, desde os 16 anos nas festas da cidade; licor, cachaça, bebidas típicas e comuns que aparentemente não trazem problemas, sobretudo quando “se é garoto”, como ele mesmo diz. Não via problemas nas saídas noturnas com seus amigos, no freqüente uso da droga e nos excessos joviais. Segundo ele, o vício vem lento, forte e aos 35 anos passou a beber progressivamente e tornou-se um dependente do álcool. E hoje aos 79 anos dá uma lição de como manter-se saudável na mente, no corpo e no espírito, estando feliz com seus 20 anos livres da bebida.

Com 59 anos sentiu que precisava parar, seu corpo estava no limite e sua vida pessoal abalada. Passou a freqüentar os Alcoólicos Anônimos (AA) em Salvador e quase um ano depois voltou a Cachoeira, onde hoje continua o trabalho diário de evitar o primeiro gole, lema usado pelo grupo nas reuniões semanais realizadas no Centro Espírita da cidade, Obreiros do Bem. Lá eles trabalham com o Livro Azul, que foi escrito por dois estadunidenses em 1939 com lições de progresso diário na luta contra o alcoolismo, a partir do seguimento dos 12 passos.

Segundo ele, era um homem arrogante e prepotente, e que sua família sofreu muito com seus problemas, mas que graças a Deus ele não chegou a ir ao fundo do poço, já que não teve problemas financeiros e nunca sofreu acidente por conta do álcool, se diz hoje um homem de sorte, amado, forte e batalhador. Sempre lembrando que ele está suscetível a beber novamente, que não há cura no alcoolismo e sim uma recuperação conquistada unicamente pela pessoa, não descartando nunca o apoio da família, porém a vontade interior do dependente é muito mais importante.

Seu Valter diz “que droga é droga” e não importa se é lícito ou não, ela leva a um caminho obscuro, onde em seu discurso espírita kardecista afirma que aos dependentes estão associados espíritos negativos ligados a matéria. Atualmente está tratando o pulmão devido ao cigarro, que não fuma há 49 anos, mas que ainda o prejudica fisicamente. Afirmando sempre que está livre de vícios e que a pior parte de ser dependente é a desmoralização pública, são os nomes pejorativos que lhe foram dados.

O Alcoolismo é terceira doença que mais mata no mundo, e no Brasil os números em morte do trânsito devido ao uso indevido de bebidas levaram ao governo no início de 2008 aplicar a chamada Lei Seca que proíbe o consumo de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro por condutores de veículos. A lei é muito questionada pelos brasileiros, porém os números convencem, pelo menos a mim, que bebida e direção não se misturam. O se que aprende com as histórias como a de Seu Valter é que o uso do álcool é um problema em todos os momentos, independente se associado ao carro ou não, ela deve ser evitada e combatida, pois mesmo lícita, é perigosa, danosa e fatal.